O que é a Blockchain?

É cada vez mais comum ouvirmos falar de Blockchain, sobretudo no contexto de cripto-moedas e associado a formas de enriquecer rápido e fácil. No entanto, começam a ser comuns relatos de variadas empresas de IT investirem  ou considerarem investir em Blockchain como alternativa de infraestrutura para a construção de novos produtos.

Embora inegável o abismal volume de transações feitas diariamente – que à data (Maio de 2018) amontoam a 5 mil milhões de dollars a cada 24H, só em Bitcoin – a tecnologia que as sustenta tem inúmeras outras aplicações.

A primeira utilização da Blockchain, datada de 1991, consistiu num sistema para prevenir a adulteração de documentos digitais através de um mecanismo que carimbava sequencialmente documentos com selos temporais. À medida do passar do tempo a solução teórica foi evoluindo através de melhoramentos que incidiram principalmente em velocidade e segurança matemática. Até que no ano de 2008 a primeira moeda electronica foi lançada no Mundo.

Apesar do termo Blockchain conotar entre outros desconfiança, fraude, evasão fiscal e corrupção, a ironia não poderia ser maior pois na sua essência é um mecanismo que garante exactamente o oposto: segurança, transparência, anonimato/privacidade consoante o necessário, desintermediação e colaboração. Estas garantias são baseadas nos mesmos princípios matemáticos e criptográficos já validados, aceites e diariamente utilizados por comunidades cientificas, financeiras e tecnológicas. Por isso não existe nada de novo ou tão pouco por testar nos alicerces tecnológicos em que assenta.

De um ponto de vista simplista a Blockchain é constituida por blocos contendo:

> uma determinada quantidade de transações
> o resultado de uma operação matemática computacionalmente cara que dadas as transações e o resultado do bloco anterior produz um conjunto de letras e números, de tamanho fixo, irreversível, resistente a colisões e facilmente verificável

Dados estes dois pontos facilmente identificamos o elemento produtor da cadeia de blocos: a função matemática!

Para garantir a continuidade o primeiro participante que descobrir o resultado da função recebe em troca um incentivo monetário previamente acordado entre todos os participantes na rede que pode ir desde a própria moeda (Bitcoin por exemplo) a pequenos honorários provenientes das transações que forem incluídas em cada bloco. Uma vez aceite pelos outros participantes, todos incluem o novo bloco na extremidade da cadeia e recomeçam o processo. Este sistema é vulgarmente conhecido como minar, no entanto o termo técnico correto é Proof-Of-Work ou PoW e é adotado atualmente na maioria das moedas eletrónicas.

Outros tipos de Blockchain, principalmente as privadas ou com outros intuitos de utilização recorrem a sistemas de validação de blocos baseados principalmente em provas de identidade ou outros tipos de governo (como por exemplo maioria numa votação).